Ecos Rock regresso em grande

ECOS ROCK REGRESSO EM GRANDE

Após um ano de interregno a deixar saudades, o Ecos Rock voltou a compor a Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory para celebrar a música alternativa regional, pintando o recinto e o público de diferentes cores ao longo de uma entusiasmante noite, que abriu com Isac. O ex-BetterShell deu o pontapé-de-saída com uma breve performance de pop rock mais adulto-contemporânea, que já aqueceu bem o público que ia chegando.

De seguida, os The Burgundy’s Tie trouxeram carisma anexado aos coletes e gravatas, num post-grunge com tanta garra quanta simpatia. Introduziram músculo às guitarras e agitaram já os primeiros corpos da noite.

A língua portuguesa voltou ao Ecos Rock com os Sardinha Também É Peixe, cujas agradáveis melodias e boa disposição já fizeram a plateia, a quem pediam participação activa, crescer. Também o seu fecho foi bem-humorado, em tom de mini-medley inserido na canção. Se quiserem ouvir os New Radicals e as Spice Girls na mesma fracção de segundos, peçam aos Sardinha Também É Peixe.

Uma das introduções da noite ficaria para a “chamada telefónica” do Presidente Marcelo aos Rita Lina, que trouxeram a língua mais afiada da noite e as fortes influências de Manel Cruz na voz e de Mão Morta (mais evidente na narrativa de “Uma Bomba”) para um concerto no qual não queriam dar só música e projecção de imagens; também queriam uma forte mensagem a ser transmitida através daquele megafone.

Não se arranjou Howard Finkel, mas arranjou-se Carlos “Matador” Almeida, ícone do cenário de peso Sanjoanense, como ring announcer dos “World Heavyweight Hardcore Champions.” E como também não se arranjou Mick Foley, há os Take Back e esse cinto fica bem entregue. O hardcore já foi género que produziu em catadupa em São João da Madeira, agora com menos fluxo, mas o tal título não fica entregue aos Take Back apenas por qualquer falta de concorrência e a sua explosiva performance comprova isso. Causadores do maior frenesim da noite e a banda com a maior presença em palco. Abraçam as suas referências locais – chamando Daniel “Sick” Pereira, que não se deixa ganhar muita saudade do palco, com os seus Setup the Breakdown e As They Come em hiato – e fazem ansiar um sucessor do auto-intitulado EP, para garantir mais defesas do título com sucesso.

Seguem-se os Redemptus, já nada estranhos a palcos maiores por todo o país e a reconhecimento internacional. Não dispensam o regresso a casa e a causa nobre que moveu o evento. O que se seguiu foi hipnose total. A boa onda de bandas anteriores já tinha sido sugada pelas trevas e instalou-se uma obscura catarse apoteótica, através dos riffs arrastados e cavernosos, enquanto se debitavam temas do mais recente “Every Red Heart Fades to Black.” Estrelas da noite, como esperado.

O fecho ficou a cargo dos Voyance, que realçavam a disparidade do evento. Se havia romantismo ao início com Isac, agora restava o “Grind Love” dos Serrabulho, aqui representados nas t-shirts de membros dos Voyance. Foi também o seu principal obstáculo, ao restar-lhes um público mais reduzido e cansado, além de falhas de som que chegou a obrigá-los a parar. Nada que alterasse a descontracção do vocalista Aristides Reis, que regularmente questionava a própria necessidade de anunciar os títulos dos temas. Trouxeram vozes à Aborted, discretas melodias à Exhumed e uma chinfrineira capaz de despertar a curiosidade de uns Benighted. Para esgotar as energias que restassem, a todo o gás.

Com uma boa causa, um bom ambiente e um bom serão multifacetado a expor que nas garagens de São João da Madeira há talento e versatilidade, louva-se a insistência na organização do Ecos Rock e espera-se por uma próxima edição, que nos garanta mais uma grande dose compacta de bons concertos. Até uma próxima!

texto de: Christopher J.R.Monteiro

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